2009-12-21

Nós contribuintes e consumidores!



Adoro o Natal!

Gosto de tudo – das luzes, do clima frenético (na verdade deveríamos estar zen e contemplativos, mas não é assim!), gosto de comprar presentes, de imaginar o que vamos comer na ceia, de decorar minha casa com muito pisca-pisca e de montar minha árvore linda! E o que falar da cidade e sua decoração natalina? Um encanto...


Pois bem, seguindo este clima, embarquei na quinta-feira passada (17/12) num “tour natalino” com meus pais, alguns amigos e o Dudu, meu filho de 7 anos. A idéia era visitar os faiscantes pontos da cidade nesta época – av. Paulista, rua Normandia, o centro da cidade, o colégio Arquidiocesano, enfim todas aquelas atrações natalinas que são feitas com tanto capricho! Assim, alugamos um microônibus e às 19h30 partimos rumo à terra de Santa Claus!


Queria poder contar aqui que o passeio foi incrível, que vimos tudo o que queríamos e que a cidade está maravilhosa, mas isso seria apenas uma meia verdade. Qual a parte verdadeira desta história? Pois bem, o passeio foi bem legal mesmo porque as pessoas presentes eram muito divertidas! A cidade está sim mais bonita, no entanto, continua sendo São Paulo, com todos os seus problemas (que fazem com que o mais persistente cidadão desista de seu passeio).



Começamos a viagem indo ao Ibirapuera para assistir ao show de luzes e águas dançantes que a prefeitura oferece a nós paulistanos e turistas. Acontece que chovia, acontece que eram 19h30, acontece que o trânsito era trânsito de São Paulo, das 19h30, com chuva, às vésperas do Natal...Não precisa dizer mais nada né? Chegamos às margens do lago do parque às 20h15, debaixo de chuva forte. Nosso ônibus parou rapidamente para que a gente pudesse desembarcar e seguiu para os tais “bolsões” onde era permitido estacionar. Nós seguimos a pé, em meio a um mar de chuva, lama e guarda-chuvas até o ponto em que aconteceria o show. Chegamos lá já bastante molhados e constatamos que não havia um lugar apropriado para ficar e apreciar as luzes dançantes adequadamente. As pessoas tinham que pular as pequenas plantas do canteiro e pisar no gramado lamacento, todas se acotovelando, tentanto achar um lugar menos deslizante e com alguma visão do local. Conseguimos um lugar ao sol (ou melhor, um lugar na chuva) com uma visão lateral do espetáculo. E chovia, e ventava, e mesmo sendo o mês de dezembro estávamos todos tremendo de frio e ensopados, aguardando o tão propagado show de luzes e águas. Ainda faltavem 15 minutos para o início e meu filho já estava com os lábios roxos. A chuva tinha começado a cair inclemente e o vento fazia com que ela nos atingisse de frente, deixando nossos rostos molhados ( os óculos, que não têm limpadores de para-brisas ficavam todos respingados, trazendo uma complicação a mais). A multidão perguntava a toda hora "que horas são?" "quanto falta para começar?" - todo mundo grudado um no outro, guardachuvas unidos formando um toldo cheio de goteiras. Finalmente começa o anúncio dos patrocinadores e dá-se início a uma sucessão de músicas, luzes e jatos d'água. Tudo muito bonito mesmo, sendo minha parte preferida as luzes das árvores do parque que foram acesas e criaram um novo "skyline" do Ibirapuera. Lindo! Lindo, mas sem nenhuma estrutura para receber o público - nada, nada, mesmo que não chovesse. Tudo um improviso, o que faz com que boa parte do espetáculo e do passeio seja perdido - a falta de um mínimo de conforto põe tudo a perder.



Bom, saímos de lá, ávidos por entrar no ônibus e continuar nossa jornada, agora quentinhos e secos (e já com uma fominha querendo despertar em nossos estômagos...)

Próxima parada: colégio Arquidiocesano - lindo, lindo, lindo! Muitas luzes, muitos enfeites, o prédio transpira Natal (não saimos do ônibus)! Veja abaixo:



A estas alturas, já eram 21h30, porque demoramos 30 minutos para chegar lá - novamente a chuva e o trânsito, sempre ele, este vilão que nos obriga a rever todos os nossos planos!

Depois do colégio, toca para a av. Paulista - queríamos fazer o roteiro dos economistas e empresários e conferir a decoração de Natal de bancos e da Fiesp. Fomos e não nos arrependemos, tudo muito especial, brilhante, colorido e caprichado. Na realidade, um mais bonito do que o outro!



Por fim, depois de 3 horas, sendo boa parte destas horas dentro de um ônibus parado, impedido de prosseguir devido ao excesso de carros, desistimos de fazer o circuito completo, que nos levaria até o centro da cidade - o caos reinava nas ruas de São Paulo!

Rumamos então de volta ao Brooklin, nosso ponto de partida e encerramos a noite (que apesar de tudo foi muito gostosa) confortando nossas almas com várias pizzas bem quentinhas.



Finalmente, queria justificar esta narrativa dizendo que é uma pena que uma cidade como a nossa que, reconheço, muitas vezes se esforça para nos oferecer atrações de boa qualidade, por outro lado não se preocupa com o outro aspecto do passeio - a infra-estrutura. Para podermos aproveitar o que a cidade tem para mostrar, é preciso que a gente seja tratado com respeito, que o trânsito melhore (muito, muito), que uma chuva (que não foi uma tempestade) não seja suficiente para arruinar nossas ruas e que os órgãos competentes entendam que São Paulo é uma cidade gigante e sedenta por cultura e entretenimento, assim qualquer coisa que apareça por aqui lota! Sim, é preciso prever que muitas pessoas vão comparecer e que a multidão vem de carro, de ôninus, a pé, de táxi, e que todo mundo tem que ser bem recebido, senão não volta no ano que vem!

É isso. E amanhã tem mais!

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PS - Querida Olívia, na sexta-feira tive que sair cedinho de casa e só voltei no final da tarde, por isso o blog foi autualizado depois das 18h. Adorei saber que vc está viciada em ler estes textos pela manhã e que estranhou a falta de histórias novas! Prometo ser mais disciplinada com o horário,ok? Bj, Claudia

2009-12-18

Lovemarks

Fonte: Lovemarks, livro de Kevin Roberts, CEO Worldwide, SAATCH & SAATCHI


Hoje quero falar sobre um livro que já li e reli várias vezes e que ainda sim fica na minha "mesa dos livros privilegiados" - é uma mesa aqui de casa que guarda uns 10 livros que adoro, dos mais diversos assuntos, e que costumo consultar com frequencia. Este livro, Lovemarks, fala sobre as marcas que moram no nosso coração e como elas conseguiram conquistar nosso afeto.

O grande segredo, de acordo com o livro, é estabelecer uma conexão emocional conosco, pobres compradores!

Vou copiar aqui um trecho do livro que acho bastante inspirador:



"As pessoas, em qualquer parte do mundo, querem emoção"

"Nos meus 35 anos no ramo eu sempre confiei em minhas emoções. Eu sempre acreditei que, através da emoção, é possível contratar as melhores pessoas para trabalhar com você, os melhores clientes para te inspirar, os melhores sócios e companheiros e os mais devotos compradores.

Nos últimos 10 anos o tema "emoção" tem dominado todas as listas de best-sellers. Vá até a Amazon.com, procure por estes títulos e vocês verão o que eu quero dizer: Arte e Emoção; Corpo e Emoção; Cultura e Emoção; Razão e Emoção; Emoção e Espírito; Emoção e Foco; Emoção e Religião; Emoção e Insanidade; Emoção nas Organizações, a tão falada Inteligência Emocional e muitos, muitos outros títulos (até Vampiro de Emoções!)

A emoção se tornou um assunto legítimo de pesquisas sérias."



Agora um "case" relacionado ao assunto, relatado no livro:

"Pai e Filho (Father and Son)

O cantor Cat Stevens foi um grande sucesso dos anos 70, até se converter ao Islamismo em 1977, mudar seu nome para Yusuf Islam e abandonar o show business. Desde então ele tem se dedicado à caridade, apoio à educação e à religião. Assim, não é de se surpreender que ele não queira se associar a muitas de suas músicas, principalmente aquelas que falam de um estilo de vida bem distinto daquele adotado pelo cantor.

Quando os criativos (aqueles que geram as histórias a que assistimos nas propagandas) da agência SAATCHI & SAATCHI manifestaram o desejo de usar uma música do Cat Stevens em uma propaganda, a primeira reação de todos foi "esqueçam. pensem em outra música". O problema é que a música "Father and Son" era perfeita para a idéia que eles tinham em mente (vejam a música no youtube http://www.youtube.com/watch?v=UT9C8GvdJPQ). O pessoal não queria apenas a música como tema de fundo - a música era a própria história: um retrato(bastante emocional) de uma relação das mais especiais: pai e filho crescendo juntos desde o nascimento até a morte. O cliente era a Telecom Nova Zelândia.

A questão "Cat Stevens" poderia representar o final da história, mas a agência considerou aquilo um desafio pessoal - para esta agência "nada, nada é impossível!", mesmo sabendo que ele jamais havia concedido uma permissão dessas. Assim, o time da agência começou a rascunhar um pedido apaixonado para o cantor. Finalmente, com a carta pronta, eles enviaram aquela súplica para Cat Stevens/Yusuf Islam e esperaram. Semanas depois, quando o time já não esperava sequer receber uma resposta, eles escutaram o barulhinho do fax...era de Yusuf! Ele escreveu apenas uma palavra no fax: YES!

Yussuf estava respondendo aquele pedido depois te ter lido a história do comercial e as imagens pensadas para ele - tudo muito emocionante e lindo! Aquilo tudo tocou seu coração. A história tem uma profunda conexão emocional com qualquer pessoa que assista ao filme, em qualquer parte do mundo. Não foi diferente com Cat Stevens/Yusuf Islam.

Um mês depois de a campanha da Telecom Nova Zelândia começar a ser veiculada (com imenso sucesso), o album "Greatest Hits" de Cat Stevens pulou para a lista dos 10 CDs mais vendidos no país.



Vejam o filme também no youtube: http://www.youtube.com/watch?v=YtU0S1rG2fM

É isso gente, emoção convence, satisfaz, comove, nos leva às lagrimas ou às gargalhadas, emoção vende, vende, vende!

Quais são as propagandas mais emocionantes da sua vida?

É isso, e segunda-feira tem mais!

2009-12-17

Disneyworld: The Happiest Place on Earth!



Hoje quero falar sobre o lugar que mais adoro em todo o mundo - a Disney! Já estive lá várias vezes e sempre, sempre me surpreendo com a mágica, o encantamento, o sonho que é atravessar aquele portal roxo, com o Mickey dizendo "Welcome"!

Adoro tudo lá - e mesmo sob o ponto de vista de propaganda, posso falar, sem medo de errar, que a Disney é a maior escola de marketing do mundo! Ainda vou falar muito sobre a filosofia Disney porque já li (e continuo lendo) muita coisa sobre o este mundo encantado!

Neste primeiro texto, vou contar algumas curiosidades sobre esta potência:


1) Tudo dentro da Disney é uma ilusão: o lugar é mais bonito, mais limpo, mais seguro e mais divertido do que o mundo real! Foi o gênio Walt Disney o primeiro a reconhecer que não são só as crianças que querem “escapar” da realidade – os adultos também querem embarcar nesta “viagem ao mundo da fantasia”. E assim como em qualquer show de mágica, você precisa acreditar na ilusão, caso contrário, tudo perde a graça! Já imaginou o que seria encontrar a Cinderela com os sapatos sujos? Você "acorda do sonho" na mesma hora! Desta maneira, não é de se estranhar que tantas pessoas acreditem que a marca Disney seja sinônimo de uma cultura idealizada na qual todos os sonhos podem se realizar!



Uma vez pergutaram a um executivo da Disney como eles conseguiam manter os parques tão imaculadamente limpos. Qual o número de funcionários encarregados da limpeza? A resposta: 45 mil faxineiros! Diante da surpresa de todos (45 mil!?!), o executivo disse que todos os funcionários da Disney - do porteiro ao CEO - todos são responsáveis pela limpeza do parque! Assim, não é raro encontrar um engravatado executivo dentro do parque se abaixando e pegando um papel esquecido no chão! Essa é parte da filosofia Disney - tudo tem que estar perfeito, para que você acredite no sonho, na ilusão!


2) O início, em 1928, com o primeiro desenho do Mickey: Steamboat Willie.



Devido à imaginação incansável de Disney, sua obsessão pela qualidade e seu total desinteresse por balanços comerciais, a Disney nunca esteve em situação financeira confortável até 1937 com o lançamento de Branca de Neve

3) A primeira loucura: Branca de Neve e os Sete Anões!

- O custo (inédito e tido como absurdo) - US$ 1.500.00,00.
- A estréia aconteceu em Dezembro de 1937, com 4000 convidados na platéia.
- Foi a primeira animação em longa-metragem.
- A Branca de Neve e os Sete Anões estavam presentes na estréia, recebendo os convidados!
- no lobby do cinema construiram uma réplica de uma mina de diamantes em tamanho quase natural
- foi considerada pela crítica da época como “a mais extraordinária estréia da história do cinema!
- Foi indicado pela Academia de Cinema ao Oscar de melhor música
- ganhou um Oscar "honorário"



4) A era de ouro dos estúdios Disney: 1940-1960



Após 1966, com a morte de Walt Disney, o brilho e as cores das animações Disney começa a "desbotar"...

É isso. Outro dia conto o desenrolar desta história que, como toda boa história Disney, tem um final feliz

E amanhã tem mais...

2009-12-16

Por trás das marcas


Queria dividir com vocês algumas práticas que as grandes marcas utilizam para construir uma conexão emocional conosco, consumidores:

1) Visita aos consumidores: é uma prática muito comum e extremamente importante. Os times de marketing das empresas passam alguns dias na casa de algum consumidor específico - esta pessoa é recrutada de acordo com os critérios exigidos pela empresa naquele momento (às vezes um consumidor da marca em questão, outras vezes um usuário da marca concorrente, enfim, o perfil que mais interessar). O time de marketing chega pela manhã e vê a dona da casa realizar várias atividades domésticas: fazer o café da manhã, lavar roupa, ir ao supermercado, guardar as compras em casa, fazer o almoço, levar as crianças na escola, arrumar a casa, passar roupa...tudo o que uma dona de casa faz diariamente. Os marketeiros observam e anotam tudo - as vezes só de observar a maneira como a consumidora guarda os produtos no armário pode surgir um insight que leve a alguma inovação - ex: as embalagens plásticas de sabão em pó (aqueles saquinhos plásticos) surgiram a partir da observação de que consumidoras de baixa renda lavavam roupas num riacho, deixando a caixa de papelão tradicional no chão úmido - a embalagem molhava e o sabão empedrava. Daí nasceu o saquinho plástico impermeável.




2) as marcas passaram anos tentando convencer os consumidores com números e fatos (bem chatos) sobre seus produtos (quem não se lembra de uma época em que era comum a gente ver propagandas em que o protagonista era um cientista, de avental branco, dentro de um laborátório, comprovando que o produto é realmente superior - enzimas, moléculas, performance). Até que alguém percebeu que nada daquilo interessava ao consumidor e as marcas passaram a comunicar o sonho, a história divertida, sem que necessariamente precisasse de um cientista para comprovar tudo o que a propaganda prometia (pensem nas antigas campanhas de sabão em pó e nas campanhas atuais, em que a história vendida é a de que "se sujar faz bem". A mudança é brutal!).




Pensem em marcas como Apple - o que eles vendem? O sonho, claro...ou você já viu alguma propaganda da Apple com técnicos falando sobre a superioridade de seus processadores?




Por enquanto é só!
E amanhã tem mais...

2009-12-15

Ainda sobre nossos sentidos...hoje, a visão!


Expressões como "comer com os olhos" em português ou, "I see what you mean" ("eu vejo/entendo o que você quer dizer") em inglês, indicam o papel fundamental que a visão exerce na nossa compreensão do mundo! A gente capta o universo através dos olhos, por meio de imagens.

A mesma coisa acontece com nosso cérebro na hora de interpretar os estímulos que chegam até ele. Por ex.: se eu disser a palavra TIGRE, provavelmente o que aparecerá em sua mente será a imagem abaixo...



e certamente não serão as letras T-I-G-R-E...Isso por que nosso cérebro processa imagens ao invés de letras - nossos pensamentos são imagens!

Daí a importância de um bom design, de uma boa embalagem, algo que seja imediatamente compreendido por e sedutor para nossos olhos:

1) 83% da informação retida em nosso cérebro foi recebida visualmente - por isso em algumas propagandas as informações são passadas oralmente e repetidas (escritas) na tela. Vocês selembram do locutores de lojas de móveis e eletrodomésticos que gritam "50% de desconto, mas é só até amanhã!!!"? Se vocês repararem bem, esta mesma informação vem escrita na tela, pois é essa que seu cérebro retém!

2) Marcas de sucesso tem uma identidade visual incrível e reconhecidíssima:




3) o formato é um aspecto que faz com que a marca seja reconhecida instantaneamente (e também responsável por boa parte da longevidade deste recall). Olha aí alguns exemplos:







É isso...Imagem é muito, muito importante, afinal, como já dizia Oscar Wilde, "só os tolos não julgam pela aparência" - ela é de fato a primeira comunicação com o mundo!

E amanhã tem mais...

2009-12-14

Toque Mágico



Já falamos sobre o poder e a influência dos aromas no nosso cérebro. Hoje vou falar sobre outro sentido - o tato!

1) é o sentido que nos conecta!

2) não é a toa que temos expressões como: "toque pessoal", "me sinto tocado por sua bondade"

3) há pessoas que curam através do toque

4) é a linguagem Braille

A Coca-Cola, este ícone do marketing de sucesso é sempre uma fonte de inspiração para quem gosta dop tema! Vocês sabiam que quando a Coca Cola começou a se tornar popular como refresco (e não mais como tônico), a empresa pediu aos técnicos em embalagem que criassem uma garrafa que atendesse aos seguintes critérios (por volta de 1915):

1) uma pessoa vendada, sem enxergar nada, deveria ser capaz de identificar a garrafa de Coca-Cola só de tocá-la (daí aquelas ranhuras no vidro)

2) uma garrafa com formato e curvas tão únicas que mesmo quebrada seria possível identificá-la pelos cacos. E assim foi feito!




A solução encontrada deu tão certo, o design funcionou tão bem (garrafa + logo), que hoje a gente reconhece a marca Coca-Cola, em qualquer situação - não necessariamente no formato tradicional. Vejam alguns exemplos:




É isso! E amanhã tem mais...

2009-12-11

A volta dos clássicos - A Princesa e o Sapo!




Só para contar que fui assistir à estréia deste novo filme da Disney (A Princesa e o Sapo) e senti que a animação tem um certo tom nostálgico, é quase que uma retomada dos antigos filmes deste estúdio. Diferentemente do que temos assistido em matéria de animação (não falo animação infantil, porque para mim estes filmes agradam tanto as crianças como a seus pais), a Princesa e o Sapo é um filme 2D, também deslumbrante, todo feito a mão, sem recursos de animação por computadores e com muita música! O filme é um encanto para os olhos - muitas cores, muito capricho, muitas luzes e brilhos - daqueles que só a Disney sabe fazer!

Para quem não sabe, o filme reinventa a clássica fábula infantil dos irmãos Grimm, "O Sapo Príncipe". Neste caso, parte desta adaptação fica por conta da princesa, que desta vez é negra (e magra e linda - ok com a diversidade étnica, mas a estética ainda não!). Todos sabem que a maioria das princesas Disney são loiras (e magras e lindas), mas em tempos de politicamente correto, já tivemos princesas árabes (Jasmine, de Aladdin), asiáticas (a chinesa Mulan, do filme homônimo) e agora chegou a vez de Tiana, um menina pobre de New Orleans (daí porque muita música no filme).

Antes que os mais precipitados já concluam que o filme é uma bajulação ao presidente Barack Obama, informo que um filme destes leva em média 4 anos para ficar pronto - ou seja, o projeto começou bem antes da eleição do democrata.

Adorei, e mais importante, meus filhos também!

E segunda-feira tem mais...

Como falar de dinheiro?

Andei analisando as diversas maneiras que a publicidade usa para falar de preço. Como abordar este tema delicado em campanhas publicitárias, especialmente quando a marca anunciada é reconhecidamente a mais cara.

Antes de mais nada é bom lembrarmos algumas atitudes que os consumidores tomam em relação a dinheiro, especialmente durante tempos bicudos:

1) as pessoas gostam de ter a impressão que estão sempre fazendo um bom negócio

2) pensando na afirmação acima, os consumidores precisam sempre ser lembrados do valor de sua marca (algo como "pague porque vale a pena)

3) em épocas de crise as pessoas vão atrás de produtos multi-uso, ao invés de produtos específicos

4) em épocas de crise as pessoas redefinem sua noção de valor - é aconselhável que os marketeiros descubram logo qual este novo significado

5) ainda pensando em épocas difíceis, é justamente nestes períodos que os consumidores estão mais propensos a comprar menos, adiar as compras ou trocar suas marcas por outras mais baratas - mais uma vez os marketeiros precisam manter seus investimentos um publicidade a fim de evitar que tais fatos ocorram.

Agora listo aqui alguns exemplos de campanhas, com o link para os filmes...

1) desafios: Marcas que mostram sua superioridade e seu valor através de uma garantia que é oferecida em forma de “desafio” ("se não funcionar devolvemos seu dinheiro"). Ex.: Activia



2) comparativo: Marcas que se apoiam na comparação direta com seus concorrentes para evidenciar suas qualidades e sua superioridade em valor ("meu produto é melhor que o da concorrência").



3) superioridade numérica: Marcas que demonstram seu diferencial através uma alegada superioridade. Sua proposta de valor é evidenciada pelo uso de métricas claras e numéricas (meu condicionador hidrata 5x mais). Ex.: Duracell



4) custo-benefício: Marcas que utilizam do discurso de “custo-benefício” de forma explícita para mostrar seu valor ("faça as contas. vale a pena). Ex.: Itaú



5) sou caro mesmo, e daí?: Marcas que reforçam seu valor ao realizar uma comunicação que, além de assumir o caráter premium da marca, denigre a imagem do concorrente (é melhor pagar para se garantir, afinal "shit happens" - vocês se lembram da propaganda das tubulações Tigre em que o consumidor usava outra marca e acabava ficando com o mico na mão?). Ex.: Brastemp & British Airways





É isso! E segunda-feira tem mais!

2009-12-10

A Infantilização da População ou Adolescência Sem Fim

Fonte: CONSUMIDO - Como o mercado corrompe crianças, infantiliza adultos e engole cidadãos (Benjamin Barber)

Ainda estou lendo este livro polêmico e radical (talvez meio no estilo dos documentários Michael Moore), mas já queria dividir algumas idéias do autor com vocês. Assim como o documentarista mencionado, o autor Benjamin Barber me parece meio fatalista, mas não deixa de ter razão em muitas idéias que defende.

Vocês conhecem os termos kidults (kids + adults) ou adultescentes? Estes neologismos pop são a conseqüência de um fenômeno cultural mais sentido que reconhecido – “uma infantilização que está associada às demandas do capitalismo de consumo numa economia de mercado global”.
De acordo com o autor, as grandes corporações tentam nos manter adolescentes e infantis pelo resto de nossas vidas a fim de que conservemos algumas características das crianças que ajudam muito nas vendas:

1) crianças não toleram frustrações e não conseguem postergar a satisfação de seus desejos - tudo tem que ser já, não dá para esperar
2) a impulsividade infantil (em adultos prósperos) assegura o consumo excessivo
3) narcisismo
4) aquisição sem propósito

“Vivemos numa era em que as pessoas cada vez mais se recusam a agir de acordo com sua idade...a adolescência, para alguns, dura para sempre...a negação da idade está em toda parte” diz Robert Samuelson. Ele conta com várias evidências (algumas bem engraçadas) para ser tão enfático em sua afirmação e acreditar na tendência Peter Pan:

1) Reportagem de capa da Time: “Eles simplesmente não vão crescer”
2) Reportagem de capa da New York Magazine: “Jovem para sempre:por que ninguém mais quer ser adulto?”
3) Para acalmar os passageiros em áreas de inspeção e revista nos aeroportos americanos a policia distribuía pirulitos
4) Leitores adultos fanáticos por Harry Potter e a saga Crepúsculo (confesso que sou uma destas leitoras! Já li todos os livros de ambas as séries a adorei!)
5) Venda de vídeo games para adultos (brinquedos caros e muitas vezes de temática mais adequada a adultos do que às crianças)
6) Sucessos de público adulto como Homem Aranha, Exterminador do Futuro, Shrek
7) Cirurgia plásticas e botox prometendo a fonte da juventude para mulheres e homens
8) Remédios como Viagra para homens que “tentam contrabandear a juventude para a idade da previdência social”

Em resumo, o autor acredita que os marketeiros estão incentivando a regressão dos adultos, esperando reacender neles os gostos e hábitos de crianças, de modo que possam vender globalmente a parafernália inútil de jogos, aparelhos e inúmeros bens de consumo.

Por fim, a revista Economist resumiu: “Antes você crescia, deixava de lado as coisas infantis. Hoje, o analista de Wall Street de 35 anos que corre para o trabalho de bicicleta, ouvindo seu Ipod e carregando seus relatórios em sua mochila, tem muito mais em comum com um jovem de 20 anos do que tinha uma geração atrás”

É isso gente, hoje os trinta anos são os novos vinte anos e os quarenta são os novos trinta!

E amanhã tem mais...

2009-12-09

Ainda falando sobre o fascínio que tudo que é gratuito exerce sobre nós mortais, vou contar aqui uma experiência conduzida nos Estados Unidos:

Em um edifício público de grande circulação foi colocada uma mesa em que eram oferecidos dois tipos de chocolate: Lindt (aqueles chocolates suíços, deliciosos , caros e irresistíveis) e Kiss (chocolates americanos da marca Hershey – baratos e comuns). Acima da mesa havia uma faixa anunciando “um chocolate por pessoa”. Quando a pessoa se aproximava da mesa, via quais chocolates eram oferecidos e qual o preço de cada um: cada trufa Lindt, 15 centavos (bem barato) e cada Kiss, 1 centavo (praticamente de graça, né?). Como só podiam escolher um, tinham que decidir qual das opções era a mais vantajosa. Diante deste cenário, os consumidores agiam movidos pela razão: 73% escolheram o chocolate suíço (deliciosos e por um preço muito abaixo do mercado) e 27% ficaram com o chocolate comum, a 1 centavo (apesar de também estarem bem baratos os doces americanos não se apresentavam como uma grande oportunidade se comparados à chance de se comer chocolates suíços por 15 centavos).

Numa próxima etapa, os pesquisadores resolveram entender qual a influência do “grátis” na decisão dos consumidores – será que mudaria alguma coisa?

Pois bem,eis a nova situação: ambos os chocolates passaram a custar 1 centavo a menos - os chocolates suíços Lindt, 14 centavos e os chocolates baratos Kiss passaram a ser oferecidos gratuitamente. Se você reparar, a diferença relativa de preço continua a mesma. Assim, de acordo com as teorias econômicas (análise custo-benefício) a resposta do consumidor deveria ser a mesma. Se ele achava que comprar um Lindt era melhor negócio do que comprar um Kiss, quando ambos ficam 1 centavo mais barato a resposta deveria ser a mesma, certo? Será que isso alteraria a preferência dos consumidores?

Vejam o resultado: o simplório Kiss, passou a ser o grande favorito, sendo escolhido por 69% dos consumidores. Já o sofisticado Lindt foi a opção de 31% das pessoas. O que aconteceu? Por que tantos consumidores abriram mão de se deliciar com um chocolate tão gostoso a um preço tão bom? Porque quando os chocolates Kiss passaram a custar 1 centavo mais barato, eles atingiram o custo zero e zero não é apenas um outro preço – zero é um “botão” que dispara nosso lado emocional, fazendo com que a gente abandone a razão na hora de decidir. Zero é uma fonte de excitação quase irracional. Analisando friamente, os chocolates Lindt eram a melhor escolha em qualquer um dos cenários. Como somos esquisitos, não? Amanhã tem mais!

2009-12-08

Por que adoramos tanto o conceito de "grátis"?

Fonte: Predictably Irrational - The Hidden Forces that Shape Our Decisions (Dan Ariely)

Gente, perdão pela ausência, mas o dilúvio que tem caido sobre São Paulo nos últimos dias "derrubou" minha conexão à Internet.

Agora, back in business again, queria comentar um capítulo do livro do Dan Ariely que fala sobre o fascínio que os brindes, os "grátis" exercem sobre nossas cabecinhas.

Quem nunca se deparou com uma promoção "pague 2 e leve 3" ou "compre um shampoo e leve um sabonete de presente"? Durante uma época de vacas magras, meu pai só comprava os produtos que vinham com brinde. Lembro de dois que lotavam as prateleiras da despensa de casa: requeijão Poços de Calda que vinha com um coador azul (tínhamos dezenas de coadores) e a pasta de dentes que vinha com um aparato para enrolar o tubo desde o final de modo que você não deixasse nenhuma molécula do dentifrício na embalagem (também tínhamos um arsenal deste creme dental).

Agora, voltando ao assunto, realmente o custo zero é irresistível, né? Aqui perto da minha casa tem um posto de gasolina que te presenteia com um café (zinho, simples mesmo) no Amor aos Pedaços sempre que vc enche o tanque (mais de 30 litros). Acreditem ou não, eu só abasteço lá e faço questão do meu "vale café". Nunca parei para fazer as contas, e checar se o preço do litro do álcool compensa ou se estou pagando muito mais caro pelo tal mimo. Só sei que toda semana "bato cartão" no mesmo posto. Outro dia ne disseram que a promoção iria acabar. Fiquei muito chateada e pensei até em abastecer o carro duas vezes na semana - uma no início e outra no final para não perder os últimos dias da "mamata". Pode? Pode, sim!

Amanhã vou contar para vocês algumas experiências relatadas no tal livro, que comprovam como nosso cérebro é facilmente ludibriado ou, se preferirem, tem uma lógica que é só sua.

2009-12-04

Ainda Sobre a Nova Classe Média

Fonte: Revista Época Negócios, novembro de 2009


Outra questão curiosa que encontrei nesta reportagem, foram as diferenças de gosto e comportamento entre o consumidor da nova classe média e o consumidor da classe A. Vejamos alguns:

1) enquanto o consumidor de classe mais alta prefere receber um tratamento distante e formal quando vai às compras, o da classe C gosta de ser tratado de maneira mais informal - ele adora um bate-papo com os atendentes.

2) a preferência por produtos exclusivos, que o diferenciem da massa é uma característica do consumidor da classe A. Já o da classe C quer consumir objetos e serviçosque o façam se sentir parte de um grupo. Prefere, portanto, produtos já testados e usados por outras pessoas.

3) O consumidor mais endinheirado tem vergonha de pedir descontos e quando o faz não conta para ninguém, enquanto que o menos abastado não só adora uma pechincha (eu também A-M-O um bom negócio, um outlet, uma "baciada"!) como se sente orgulhoso de ser um bom negociante e conta para todo mundo o resultado de sua conquista!

4) a menor fidelização e maior experimentação de produtos vem das classes mais altas. Os consumidores de classe C, por terem menos dinheiro, podem correr bem menos risco e não podem se dar ao luxo de errar na escolha. Assim, este público é muito mais fiel às marcas que já conhece.

5) A classe A encara a experiência de fazer compras como um prazer solitário e individual. Para a classe C, no entanto, comprar um produto novo é uma decisão familiar. Após efetivada a compra, amigos e vizinhos são chamados para ver e comemorar.

6) Para a elite, vitrines e prateleiras devem ser "minimalistas" - poucos item conferem uma sensação de exclisividade. Como dizia Joaozinho Trinta, "miséria é para intelectual, o povo gosta de luxo" - e é isso mesmo, o público de classe C gosta de fartura nas prateleiras! Quanto maior a variedade de itens e marcas, melhor!

Gente, por hoje é só.
Amanhã tem mais!

2009-12-03

Os Sete Mitos da Nova Classe Média

Fonte: Revista Época Negócios, novembro 2009 ; nº 33


A capa da revista Época Negócios (novembro/2009) anuncia: "A Classe Média que Você Precisa Conhecer". A matéria fala sobre "os protagonistas da maior revolução social do Brasil contemporâneo: a ascensão da classe C". Quero escrever aqui, durante os próximos dias, sobre o conteúdo da reportagem, mas já deixo uma lista interessantíssima dos "7 mitos da nova classe média" (pesquisas qualitativas fazem cair por terra alguns pensamentos recorrentes a respeito deste consumidor). Aí vão eles:

1) Mito: o principal interesse do consumidor é preço baixo
Realidade: Ele prefere pagar por produtos que lhe deem melhor custo-benefício, não necessariamente os mais baratos, afinal, se errar a escolha, não terá dinheiro até o próximo mês para comprar de novo (talvez venha daí a explicação da adesão em massa da classe C ao detergente em pó Omo - a certeza de não errar!)
2) Mito: a nova classe média restringe suas compras de supermercado apenas aos itens da cesta básica
Realidade: No quesito alimentação, ela dá muito valor aos alimentos de indulgência, como chocolates e bolachas recheadas porque são sinal de que existe mais dinheiro no bolso. Quatro em cada dez latas de creme de leite e três em cada dez potes de sorvete são vendidos para a classe média (aqui acho que não era tão mito assim. A gente já sabia que bastava a economia melhorar e sobrar um dinheirinho no bolso da galera para os iogurtes, biscoitos e guloseimas voarem das gôndolas, né?)


3) Mito: Não tem dinheiro para lazer
Realidade: 77% das pessoas da nova classe média acham que o lazer, incluindo viagem, é um luxo que elas merecem. Só que o sonho de viagem não está fora do país, mas aqui dentro - conhecer melhor o Brasil, tanto o litoral como o interior

4) Mito: a propaganda para este publico tem que remeter aos ídolos do momento. Quanto mais conhecida e popular for a personalidade, melhor.
Realidade: Nem sempre. Os maiores ídolos da nova classe média são pessoas próximas, geralmente pais e amigos que se assemelhem a eles. Já em relação aos famosos, fazem sucesso aqueles que venceram na vida por esforço próprio - o consumidor sente identificação com a própria história (Ana Maria Braga, Zezé de Camargo & Luciano e até o presidente)

5) Mito: a nova classe média quer melhorar a vida e, por isso, migrar para os melhores bairros
Realidade: Eles estão felizes onde vivem - sim, eles gostam da periferia. Quando alguém casa, a preferência é morar perto de quem conhece - 42% das pessoas da nova classe média moram a menos de 200m de algum parente. Uma mudança de bairro representa trabalho maior, não só com a mudança mas também para encontrar uma vizinha para ajudar a cuidar do filho ou para ganhar a confiança dos comerciantes locais.

6) Mito: a nova classe média não está conectada à Internet
Realidade: Com a proliferação das (benditas) lan houses e o barateamento dos computadores e notebooks, a inserção é forte nos meios digitais. Cerca de 25% dos lares já tem computador próprio e 60% não só fazem uso de lan houses como também dizem ser um de seus pontos de encontro preferidos

7) Mito: o consumidor da nova classe média não paga contas
Realidade: o maior índice de inadimplência por pessoa é nas classes mais altas. Para a classe C, o não pagamento significa ir para a lista negra do Serasa. Se isso acontece ele perde crédito em todos os lugares onde compra.

Por enquanto é isso...já dá bastante assunto pra gente pensar.
Amanhã tem mais!

2009-12-02

Como as Pessoas Decidem - Revista ISTOÉ, 11/11/09

Hoje quero falar sobre uma matéria que saiu na ISTOÉ do mês passado e que explica uma parte de nosso processo decisório: a contribuição de uma noite bem dormida!
Uma das novidades mais recentes vem de um estudo da Universidade da Califórnia (EUA): pesquisadores descobriram que, durante o sono, os neurônios fazem novas conexões cerebrais, estimulando a solução de problemas - daí a expressão inglesa "I'll sleep on it" (vou dormir pensando nisso") que faz todo sentido com o que os cientistas querem provar. A gente aqui também muitas vezes diz "nada que uma boa noite de sono não resolva" - temos que ficar mais atentos ao verdadeiro significados destes ditos populares... Voltando ao estudo, parece que a pessoa encontra uma saída melhor para a dúvida se parar de pensar nela exaustivamente. Dormir é o descanso ideal para o cérebro ativar a criatividade da fase REM. Neste período, a questão permanece na mente, mas livre de preconceitos que acabam influenciando as decisões quando estamos acordados.
"Ja existiam evidências de que, quanto mais pensamos sobre um assunto, pior a decisão tomada. No sono, o inconsciente trabalha sem teorias pre-concebidas" diz o psicólogo americano John M. Grohol,um dos entusiastas da teste. Interessante, não? Claro que uma boa noite de sono não faz milagres, a gente ainda precisa usar a razão para pesar prós e contras, sem se esquecer também de ouvir o que nossa velha conhecida - a intuição - tem a dizer. "Sou muito intuitivo...Na hora de decidir levo em conta tanto interpretações racionais quanto percepções intuitivas. Se empatar, opto pelo que diz minha intuição" Washington Olivetto, publicitário e presidente da W/Brasil
Por hoje é só. Amanhã tem mais...

2009-12-01

Que cheiro é esse?


História verídica ocorrida nos Estados Unidos: uma mulher estava tentando vender sua casa há um ano, sem sucesso, até que resolveu trocar de corretor de imóveis. O novo corretor fez então uma pequena exigência à dona da casa:
- Toda vez que eu trouxer um cliente interessado em visitar sua casa, vou pedir que você asse uma fornada de biscoitos (os deliciosos cookies americanos).
A mulher não entendeu a razão daquela idéia, mas deseperada por vender a casa, concordou.
Já na primeira visita, o corretor ligou para a mulher para lembrá-la de assar os cookies alguns minutos antes de sua chegada ao imóvel com o potencial comprador. E assim foi feito.
Sabem o que aconteceu? Pois bem, este primeiro interessado fechou negócio e a casa foi vendida já na primeira investida do novo corretor. Por que? Porque este profissional sabia o quanto somos influenciados (e induzidos até) pelos nossos 5 sentidos. Aquela casa tinha sempre sido considerada um imóvel à venda, assim, os compradores que a visitavam no passado, examinavam a propriedade com muito critério e minúcia - pintura, vazamentos, encanamento, etc. Já o novo corretor pediu àquela mulher que enchesse a casa com cheiro de biscoitos assados, fazendo com que a casa deixasse de ser apenas um imóvel e se tornasse um LAR à venda. Sim, um lar onde se assam biscoitos - aquele cheirinho de doce vindo da cozinha evoca uma série de lembranças e idéias: um lar feliz, onde a harmonia reina e onde todos são felizes. Quem não quer uma vida assim?
Pois bem, o tal comprador queria e comprou a casa, influenciado pelo "perfume de lar feliz" e pela expectativa de ter ele mesmo conseguido um lar para si.
Por isso, profissional de marketing, valorize todas as dimensões de seu produto - cheiro, textura, cor, som, gosto.
(A propósito, a casa estava em boas condições, não pense ninguém aqui que o comprodaor foi ludibriado ou coisa assim!). E amanhã tem mais...