2010-01-14

O Código Cultural


Fonte: O Código Cultural, de Clotaire Rapaille

O título deste post refere-se ao nome de um livro que li há uns dois anos e que achei fascinante. O autor, Dr. Rapaille, é um antropólogo que defende a idéia de que todo nós adquirimos um sistema silencioso de códigos à medida que crescemos em determinada cultura. Estes códigos - o Código Cultural - são os que nos fazem ser americanos, brasileiros, alemães e formatam invisivelmente a maneira como nos comportamos em nossa vida, mesmo quando desconhecemos os motivos que nos levam a agir da maneira que agimos. Vou dividir com vocês o que o autor fala no capítulo "Os códigos para comida e bebidas". É bastante curioso. Vale lembrar que o Dr.Rapaille é francês e que neste capítulo ele faz uma comparação entre a maneira como os franceses se relacionam com a comida e o modo de os americanos tratarem o assunto.

Uma das coisas que o autor aponta como curiosa nos Estados Unidos são os restaurantes "all you can eat" - aquele tipo de lugar em que você paga um valor fixo e come o quanto quiser. É um conceito bastante popular aqui no Brasil também, né? Pois bem, a partir desta constatação, uma série de comparações são feitas e todas têm como explicação o Código Cultural de cada país.

Se você já esteve nos Estados Unidos deve lembrar que mesmo em restaurante normais - aqueles com cardápio e preços cobrados de acordo com o que se consome - a porções são
extremamente generosas (para nós brasileiros um prato sempre é suficiente para duas pessoas). Sendo assim, por que ainda se faz necessário um restaurante "all you can eat"? De onde vem tanto furor pela comilança? Já no outro continente, as porções francesas são sempre pequenas (às vezes, pequenas demais!). Ainda, segundo o autor (e não há como a gente dizer que ele está errado), sair para jantar é uma experiência inteiramente diferente dependendo se você está na América ou na França (não estou aqui fazendo nenhum juízo de valor da culinária de qualquer um dos países ou da maneira como cada um se relaciona om o assunto).

Enquanto os franceses inventaram a noção de "slow food", ou seja, fazer a refeição calmamente, sem pressa, saboreando pratos, vinhos e o ambiente, os americanos são adeptos do "fast food". Mesmo em restuarantes mais elegantes, a comida, ns Estados Unidos, é servida rapidamente e as pessoas esperam que seja assim.

Num restaurante tipo buffet, um americano enche seu prato com uma quantidade imensa de alimentos e não se importa se está misturando saladas, carne e massas - para ele, esta é a maneira mais rápida e eficiente de se servir e de comer. Já os franceses comem cada alimento em um prato diferente, evitando que sabores e aromas se misturem, nem que para isso precisem ficar horas à mesa. Os americanos terminam uma refeição dizendo "estou cheio" ("I'm full"). Já para os franceses a frase é "estava delicioso" (não sei traduzir para o francês. Se alguém souber me mande que eu coloco no texto).

Ainda de acordo com o autor muitas das características dos Estados Unidos são explicadas em função de seu humilde início. É aqui que entra o conceito de Código Cultural! Os americanos começaram do nada, como colônia inglesa, e trabalharam duro para alcançar a riqueza. Isso é um traço forte que ficou enraizado na cultura americana - o cérebro reptiliano dos americanos ainda "carrega" esta informação de pobreza, de tabalho árduo, do medo da escassez. Indo mais adiante, a reação de pessoas carentes quando o assunto é alimento é a mesma no mundo inteiro: elas comem o máximo possível quando podem porque não têm certeza de quando comerão novamente. Obviamente, tudo neste exemplo acontece inconscientemente. Mas, e o que dizer da França? Eles nunca passaram fome? Por que seu comportamento é diferente? A resposta também se encontra em seus ancestrais: a cultura francesa é fortemente influenciada pelo modelo da aristocracia. Um aristocrata jamais avançaria num buffet como um morto de fome qualquer. Inclusive, naquele país, terminar uma refeição com pratos e copos vazios é considerado algo extremamente vulgar - deve-se sempre deixar um pouquinho.


Por fim, para terminar, falemos mais um pouco sobre a pressa dos americanos: este povo não gosta de perder tempo e não é raro ve-los comendo enquanto andam ou dirigem. Psquisas indicam que o americano médio gasta 6 minutos com seu almoço.

É isso. Espero que tenham gostado.
Vou voltar a escrever sobre este livro e suas idéias em outros posts.
Agora vou tomar um café da manhã beeemm demorado

E amanhã tem mais....

2010-01-13

Pampers: a luta para convencer as mães da África do Sul a abandonarem as fraldas de pano!



Vou escrever sobre um "case" de marketing sobre o qual li há vários anos mas que ainda considero interessante. A história envolve a maior marca de fraldas do mundo - a americana Pampers - e as mães da África do Sul. Vocês vão ver como muitas vezes é bastante difícil quebrar as barreiras culturais e estabelecer uma nova categoria de produtos, ou, pior ainda, mudar hábitos enraizados.

Vamos, então, ao relato:

Houve um tempo em que existiam fraldas descartáveis na África do Sul (Hughies) mas não existiam Pampers. Nesta época a penetração deste tipo de fralda era baixíssima - ninguém usava. O país permanecia fiel às fraldas de pano. Motivos para isso? Vejam abaixo os três principais:

1) o clima - num país onde o sol aparece quase que durante o ano inteiro é muito fácil e rápido ter fraldas de panos secas e cheirosas;

2) ajuda doméstica - alta presença de empregadas domésticas fez com que as mamães não encontrassem motivos (ou pelo menos demorassem a encontrar) para mudar o hábito de fraldas de pano para as mais práticas (e mais caras) fraldas descartaveis;

3) tradição: gerações de crianças tinham sido bem criadas com fraldas de pano e ninguém via relevância na conversão

Neste cenário a Procter & Gamble desembarca na África do Sul, sendo vista pela população como a marca premium, a mais cara do mercado e portanto, aquela que tinha menos chance de promover a alteração de um hábito de tantos anos. Para piorar a situação, os consumidores não tinham sido instruídos sobre como usar as fraldas descartáveis e as trocavam a cada vez que as crianças eram alimentadas - o mesmo costume que tinham quando usavam as fraldas de pano. Esta prática contribuia para que os poucos consumidores que tinham adotado as fraldas descartáveis também não conseguissem ver valor naquilo. Com aquela frequência de trocas as fraldas ficavam ainda mais caras! As pesquisas demonstravam que os consumidores literalmente declaravam que "fraldas descartáveis eram como dar descarga em um monte de dinheiro!". A P&G fez as contas e chegou à conclusão que somados os valores de energia elétrica, água e sabão em pó (elementos necessário para a manutenção dos tecidos) aquelas fraldas já nao pareciam mais tão baratas!

Examinando a questão pelo lado cultural a coisa também era complicada: as mães se sentiam culpadas por comprar as tais fraldas que eram caras e que aparentemente só seriam vantajosas para elas que teriam menos trabalho - ninguém conseguia ver beneficios para os bebês e encaravam as descartáveis como "luxo e conveniência" apenas ("coisa de mãe folgada", era o que passava pela cabeça da maioria).

Assim, diante deste cenário desanimador, a P&G decidiu que era hora de agir e finalmente converter o mercado. Vejam o que eles fizeram:

1) o time de marketing se dividiu em mini grupos e cada um deles passou 3 dias na casa de uma família que tivesse um bebê - eles queriam entender o dia-a-dia deste pessoal. Só assim é possível comunicar-se melhor com seu público e descobrir suas reais necessidades (observar o consumidor dentro de seu habitat é bastante revelador e insightful;
2) a Pampers aboliu as campanhas publicitárias com cientistas e médicos atestando que as fraldas descartáveis eram melhores. Aquilo soava falso e distante para as mães;
3) foram criadas campanhas com mensagens diferentes: uma delas enfatizava a importância, para a saúde do bebê, de um sono sem interrupções. Isso, claro, só seria possível se a criança ficasse sequinha a noite toda (o que não ocorria quando usavam fraldas de pano). A outra propaganda falava de prevenção e de como as mães deveriam evitar que a pele da criança ficasse em contato com a urina durante o dia, quando elas brincavam, pulavam, sentavam. Aquele atrito era prejudicial à delicada pele do bebê (veja o filme no final do texto).


4) as campanhas passaram a mostrar mães reais e seus bebês a fim de aproximar a marca das consumidoras e assim, tornar a mensagem mais "legítima"
5) a P&G também tratou de educar as mães, explicando a elas a maneira correta de usar o novo produto e deixando claro quais os benefícios para os bebês.

Quer saber se deu certo? Deu sim. Em dois anos a penetração (presença nas casas) de fraldas descartáveis aumentou em 60%. Abaixo algumas declarações de consumidoras:

- "antes a gente não sabia nada e pensava que estas fraldas eram um disperdício"

- "parecia um gasto exagerado, mas agora eu vejo que só elas para não provocarem assaduras no meu filho"

- "meu bebê dorme muito melhor agora. E toda a família também"

- "esta marca se preocupa com a saúde do meu filho"

- "a gente sabe que é verdade porque tudo o que estas mães estão falando a gente já viu e sentiu"

Agora, acessem esta peça publicitária (só achei uma) criada na época para a consolidação das Pampers (é a que fala que as crianças não devem ficar molhadas enquanto brincam):

http://www.youtube.com/watch?v=t_AK5Mb3MBM



E a história é esta, gente! Não é incrível? Eu adoro estes casos de marketing em que é preciso entender o contexto cultural, os hábitos, tradições e preconceitos de um grupo de consumidores para depois pensar na melhor estratégia para chegar ao coração de cada um deles. Gostaram? Tomara que sim!

E amanhã tem mais...

2010-01-12

Coisas que detesto!

Hoje estou ranzinza! Deve ser a segunda-feira e o calor senegaleco que tem feito em São Paulo. Aí, no final da tarde chove e a cidade vira uma estufa - quente e úmida! Um horror!!
Assim, para combinar com meu humor azedo de hoje, resolvi listar aqui algumas coisas que me irritam como consumidora. Sintam-se a vontade para colaborar:

1) atendentes de SAC (serviço atendimento ao consumidor): aqui sei que não sou só eu, afinal estas pobres moças são uma unanimidade - todo mundo fala mal delas! Mas, realmente, o serviço é muito ruim, começando pelo assassinato da gramática ("eu vou estar te atendeeennndo mas antes eu vou precisar estar confirmaaaaannndo alguns dados") e terminando na total frustração que sentimos quando desligamos o telefone sem ter resolvido nada (e com a pressão mais alta) ou somos "derrubados" pela atendente e ficamos com o telefone na mão, a cara de idiota e um total desânimo ante a idéia de liga e começar tudo novamente!

2) motoristas que não sabem estacionar o carro (ou são muito folgados mesmo) e ocupam duas vagas do estacionamento. Já repararam comno tem uns malas que largam o carro entre dois espaços? É o fim...

3) ainda falando de motoristas folgados, e aqueles que estacionam o carro na vaga de idosos, mesmo tendo 30 anos? Já vi um monte! Em supermercado é batata! Veja como há bastante vagas de idosos e como, na maioria das vezes, elas estão oupadas. Outro dia a Radio Bandeirantes ficou a postos num shopping esperando para dar o flagrante nos malandros - e enquadrou um monte de espertinhos!

4) esta não sei se vocês conhecem, mas outro dia fui a um resturante japonês rodízio e assim que chegamos o garçom veio nos dar um aviso: "para cada sushi/sashimi que sobrar em seu prato nós cobraremos 2 reais como taxa de despedício". Ai, mas eu achei aquilo o fim!! Que coisa mais antipática! Está certo que ninguém deve mesmo desperdiçar nada, mas se você monta um restaurante rodízio, tem que viver com o lado bom e ruim de seu negócio. Por acaso se eu comer pouco vou ter um desconto? Não né? Então o fofo só quer ser ressarcido quando sentir o prejuízo mas não quer me reembolsar quando eu me sentir prejudicada? Nunca mais voltei (a comida também não é lá estas coisas).



5) a união da Blockbuster com as Lojas Americanas! Ai, que coisa mais triste!! Que decadência, que deprê! Passei a frequentar bem menos a locadora. Não dá! Experimente ir a uma Blockbuster agora e pedir um filme do Hitchcock. Primeiramente a funcionária vai arregalar os olhos e pedir para você repetir. Depois que você explicar bem o que quer, vai ter que esperar uma eternidade até que alguém consiga achar alguma coisa naquela loja bagunçada - caixas espalhadas, pilhas de DVDs no chão, gôndolas de lingeries, prateleiras com material escolar, cafeteiras e outros eletrodomésticos menores à venda, enfim uma total confusão! Estes dias fui alugar um filme e estava em dúvida se já o tinha ssistido ou não. Pedi então a uma funcionária que colocasse o disco no DVD para que eu pudesse ver as primeiras cenas e assim me decidir. Fiquei esperando por uns 10 minutos até que fui informada de que não seria possível assistir ao DVD porque ningém conseguia encontrar o controle remoto! Não dá né?

6) ficar 15 minutos numa fila para pagar suas compras e quando chega sua vez você é informada que "o sistema caiu" e "não dá para pagar as compras com cartão". Como pago então? Estou no supermercado, minha compra totaliza R$ 300,00, o estabelecimento não aceita cheques e o pagamento com cartões está suspenso porque o "sistema caiu". Possíveis soluções: esperar que "o sistema se levante" (ninguém sabe dizer quanto tempo isso pode levar) ou procurar um caixa eletrônico e sacar dinheiro suficiente para pagar a compra, ou, ainda, deixar tudo lá e voltar para casa sem nada.

7) ir a um restaurante, pedir os pratos e recebe-los gradativamente: algumas pessoas são servidas antes, depois de 10 minutos chegam outros pratos e em 5 minutos mais os últimos comensais são servidos. Você sai com amigos para jantar e cada um come num horário diferente.

8) comprar uma mercadoria, esperar a entrega para a data prometida e ser frustrado em suas intenções. Você espera o dia todo, a cada campainha que soa suas expetativas aumentam, mas nada da sua encomenda chegar. Você vê as hora passando, começa a se preocupar e então liga para a loja e é candidamente informado que "ah, o caminhão quebrou e só vamos estar entregando (sic) daqui a 3 dias". Não é para morrer? Não, não é,é para matar!

É isso, gente!
Desculpe-me, mas hoje o post saiu rabugento mesmo!

E amanhã tem mais, num astral mais elevado!

2010-01-11

Um pouquinho mais de Crayola!


A Flavi - leitora mais do que assídua e moradora de Boston, USA - me mandou um email dizendo que a Crayola promoveu uma votação por lá para saber quais eram as 8 cores que as crianças preferiam e que nome dariam a estas cores. Pois bem, as mais votadas estarão na edição comemorativa de 50 anos da caixa de 64 cores! Dá para acreditar? Eles comemoram o aniversário da caixa - é o máximo, não é? As cores estarão presentes nas caixas de 64 crayons, lápis e canetinhas. Aí vão as cores eleitas por 20.000 crianças!!!










Não são fofíssimos estes nomes? Awesome, Super Happy, Bear Hug, Famous, Happy Ever After, Best Friends, Fun in the Sun, Giving Tree? E o que dizer da conexão formada entre estes consumidores e a marca? Não se esqueçam - 20.000 crianças votaram!20.000 crianças (e seus pais) acessaram o site da marca para votar!

Detalhe: desde 1958, ano em que esta embalagem foi lançada, até hoje, mais de 200 milhões de caixas com 64 crayons foram vendidas. Isto dá mais de 12.8 bilhões de giz de cera, só desta embalagem! É um caso de sucesso de uma marca que mora no coração de todos nós, não é? Obrigadíssima, Flavi!!

Steve Jobs


Fonte: www.allaboutstevejobs.com


A Apple sempre foi uma marca mítica para mim: é a marca dos objetos mais incríveis, sofisticados, coloridos, de design moderno, de gente bacana e bem sucedida! Quer melhor imagem de uma marca? Pois esta é a imagem que a Apple construiu na minha cabeça e na de milhões de outros consumidores. Acho a Apple uma escândalo de marketing eficiente e bem sucedido (e seus produtos correspondem às expectativas criadas pelo tal marketing eficiente, claro!). Agora, quem está atrás do sucesso arrasador é o seu CEO Steve Jobs - o homem é uma potência, um fenômeno!

Primeiramente vale a pena falar um pouco sobre sua insólita trajetória de vida: ele foi adotado, mas sua mãe biológica só entregou a criança aos novos pais depois que estes se comprometeram a mandar o menino a uma faculade quando chegasse a hora. A mãe biológica de Steve Jobs tinha feito faculdade e queria um futuro decente para seu filho. E assim foi feito - Steve Jobs ingressou em uma universidade cara, com um custo bem acima das possibilidades de seus pais. No entanto, lembrando da promessa feita anos atrás, os pais adotivos do moço cumpriram sua parte. Quem não cumpriu foi Steve Jobs, que seis meses depois lagou a faculdade e foi para a India em busca de "iluminação"...


Minha intenção aqui não é entrar na bigrafia detalhada de Steve Jobs, mas apenas ilustrar este post com traços da personalidade e do jeito de trabalhar deste homem que é tão brilhante nos negócios, mas que aparentemente, não lida tão bem com pessoas. Aí vão então algumas curiosidades:

1) ele é dado a acessos de fúria e já despediu funcionários por motivos bem banais (reza a lenda que já mandou embora um funcionáro que lhe trouxe uma garrafa de água de uma marca diferente da solicitada. Mas acho que é só isso: lenda!)

2) seus funcionários morrem de medo dele (lenda ou não, fácil o homem não deve ser!)

3) ele é obcecado por detalhes. Quando estavam desenvolvendo o Ipod, Steve Jobs analisou exaustivamente a caixa que viria a embalar o MP3. Ele achava (muito acertadamente) que a caixa deveria reproduzir a incrível experiência que é ter um produto Apple. Assim, a caixa do Ipod é quase como uma caixa de jóias. O toque, a maneira como ela desliza ao abrir (e fechar), a textura, a beleza da embalagem, até o momento em que ela é completamente aberta e deitado dentro de um "bercinho" está o Ipod. É isso, ele analisou várias opções até chegar àquela que estava a altura do prazer de ter um Ipod. Porque para ele todos os aspectos de um produto têm que ser coerentes: não dá para lançar um Ipod que revolucionaria o mercado num caixa de papelão qualquer. Tudo tinha que ser diferente e sedutor(e é!!).

4) Ainda sobre sua apurada noção de estética, nas palavras do próprio SJ: "A maioria das pessoas erra ao pensar em design simplesmente como "o visual do produto". Para mim o assunto é bem mais complexo, não é apenas a aparência mas também como ele funciona". Steve Jobs já pediu a seus engenheiros que re-desenhassem a placa de circuitos internos do IMac porque ela não tinha uma aparência que combinasse com a estética do produto.

5)o homem também têm obsessão com a confidencialidade do negócio. Ele "planta" informações falsas na companhia para checar se há vazamento, espionagem. Em caso positivo, como foi ele mesmo que passou a tal informação, fica fácil rastrear e descobrir o "traidor".

6)ele é implacável em sua busca por qualidade e excelência

7)é o póprio Steve quem testa os produtos da Apple antes de serem lançados. Ele os usa e os avalia, para depois enviar seu feedback aos engenheiros. Eles não fazem pesquisa com consumidores porque eles têm o mais exigente de todos os consumidores: ele mesmo,
Steve Jobs. Os produtos da Apple são conhecidos por serem fáceis de usar (quase intuitivamente você descobre o que fazer) justamente por terem passado pelas mãos do criador da Apple antes de chegarem ao mercado.

8) Arrogância: sim, ele é arrogante! A Apple vende os produtos mais cobiçados do mundo
e seu CEO sabe disso. Basta dar uma olhada nas campanhas publicitárias da marca. Não tem nada de modéstia, tem?

9)Steve Jobs acredita ter uma missão no mundo: criar novas tecnologias que nos façam progredir. Ele afirma que jamais vai vender produtos baratos, "commodities" segundo ele, ou algo que ele própro não usaria. A Apple, de acordo com seu CEO, não é mais uma empresa vendendo o que todo mundo vende,a fim de fazer dinheiro apenas.





É isso.
E manhã tem mais...

2010-01-08

Crayola!



Adoro falar sobre marcas de sucesso! Há sempre muito a aprender com as histórias destas empresas capazes de criar marcas que nos fascinam, nos envolvem, nos conquistam e acabam por fazer parte de nossa vida para sempre! Hoje quero falar sobre uma que está presente na minha memória afetiva e olfativa: os famosíssimos giz de cera Crayola! Quem não se lembra deles?




Bom, os crayons da Crayola foram os primeiros giz de cera infantis do mundo, lançados em 1903, numa caixinha com 8 lápis (preto, marrom, azul, vermelho, violeta, laranja, amarelo e verde) - as mesmas cores presentes na caixa de 8 lápis vendida hoje em qualquer loja nos Estados Unidos.

Desenhar com os giz Crayola é uma experiência que deixa registro no cérebro de todo mundo. Isso porque não estamos falando de uma marca de giz de cera qualquer, mas sim de uma marca preocupada com todos os aspectos da criação infantil: quando abrimos a caixa de giz, quando deslizamos um Crayola no papel, somos primeiramente invadidos por um aroma típico da marca - não é exatamente um perfume, é mais um cheiro característico que nos leva à nossa infância (até hoje me transporto para a sala lá de casa). Você sabia que o cheiro destes lápis está ranqueado como o número 18 de um total de 20 dos cheiros mais "reconhecidos" nos Estados Unidos? Café e a medonha manteiga de amendoim são o primeiro e o segundo, respectivamente. Pois é, depois nossos dedos percebem a maciez do giz que corre no papel e que, muitas vezes, de tão macio...quebra, interrompendo o traço e nos dando um susto! E o que falar das cores? Essa gente é obcecada por cores! Se você entrar no website da Crayola, vai encontrar tópicos curiosos como: "color corner - qual a cor preferida dos americanos? Veja votação" (cada cor é descrita em detalhes, começando pelo nome, famíla de cores a qual pertence, ano de criação, em que tamanho de caixa foi originalmente lançada, etc). A Crayola, como já dissemos, lançou primeiramente a caixinha om 8 cores. Hoje, são 120 cores disponíveis, mas se contarmos as cores que a companhia já lançou e aquelas que foram retiradas do mercado, esta conta sobe para 400 cores! É muita coisa, né? E os nomes dos lápis então? Esta é uma questão à parte, que vou contar mais adiante, ainda neste post! Claro que uma marca tão presente assim na vida de todo mundo, e ainda mais na vida dos americanos, tem uma série de adoradores e fãs! São estas pessoas que reclamam quando a companhia "aposenta" algumas cores, ou quando por um motivo ou outro troca os nomes dos lápis. Falando nisso, ADORO os nomes das cores: magic mint, banana mania, cotton candy (algodão doce - fofo, né?), fuzzy wuzzy brown... e por aí vai! Já pensou que divertida deve ser uma sessão criativa dentro da Crayola para pensar nos nomes das cores? Será que eles bebem? Porque pense bem nestes nomes: fuzzy wuzzy brown! macaroni and cheese! razzmatazz (da família dos vermelhos)! asparagus (da família dos verdes)! Adoro!!


Ainda falando das cores e da relação que os consumidores têm com esta marca, quero contar aqui uma passagem engraçada: seguindo os novos tempos e as novas tendências de "politicamente correto", a Crayola resolveu trocar o nome de duas de suas cores - a "Flesh" ("carne") passaria a se chamar "peach" (pêssego) - a empresa entende que as pessoas têm pele diferente e não pode designar uma cor como a correta - e "Indian Red" (vermelho índio, imaginem!!) seria também trocada. No caso desta última, a empresa optou por consultar os consumidores e pedir que mandassem sugestões de nomes. A paixão dos consumidores por esta marca é tão grande que para eles tudo nela já parece perfeito. Assim, adivinhem qual foi a sugestão mais votada? Pasmem: "a cor que antes era conhecida como vermelho índio" (literalmente "the crayon formerly known as indian red). Não é o máximo da lealdade? Infelizmente a companhia não aceitou e criou ela mesma o novo nome -"chestnut" (castanho).

É isso.
Espero que tenham gostado!
E segunda-feira tem mais, com muitas cores!
Bom fim de semana!!

2010-01-07

Mais Disney...It's time to remember the Magic!!



Este nome é mágico mesmo! Queria dividir com vocês mais algumas hitórias interessantes sobre a marca Walt Disney (minha preferida, sempre!!)

Vocês já ouviram falar nos Imagineering? Pois é, este é um departamento dos mais importantes do grupo. O nome é o resultado de Imagination + Engineering (Imaginação + Engenharia). Estes caras são os responsáveis, entre outras coisas, por dar vida às atrações dos parques Disney. Eles é que tornam possíveis aqueles brinquedos, sustos, montanhas-russas e todos os encantos que encontramos em cada uma das esquinas do parque!

Claro que eles dispõem de toda a sorte de técnicas e ferramentas para ajudá-los a turbinar a imaginação e assim, nos surpreender sempre e sempre! Uma das primeiras regras, porém é que quando ele estão pensando em uma nova atração, eles não definem logo de cara que tipo de atração será: montanha russa? trem fantasma? trenzinho em volta do lago?...Nada disso! Para eles, a primeira coisa a ser definida é "que tipo de emoção queremos provocar? O que queremos que os visiantes experimentem?" Respondida esta pergunta eles então mergulham em brainstorms e outras sessões criativas. Aliás, aí vão algumas dicas que eles dão para garantir que seu brainstorm seja um sucesso e os resultados os mais inovadores:
1) tenha sempre açúcar à disposição: biscoitos, chocolates, brigadeiros! Açúcar nos torna hiperativos por algumas horas e nossa produção vai lá para as alturas! E todo mundo fica tão feliz e satisfeito com um pratinho de brigadeiro ao alcance das mãos, né?

2) um exercício bem interessante para ser feito antes do dia do evento é pedir que cada participante vá a uma loja que não costuma ir - no caso de adultos do mundo corporativo podem ser lojas de brinquedos, lojas de fantasias, lojas de video game, lojas de produtos para animais de grande porte, lojas de jardinagem, etc. Eleja um segmento desses e peça que os participantes visitem a tal loja e comprem qualquer coisa que eles consigam conectar com o tema do brainstorm - ex.: o problema a ser tratado refere-se à redução de custo de um determinado produto. Pois bem, um dos participantes foi até uma loja de brinquedos e comprou um jogo de tabuleiro que vinha com todas as peças em papelão, para serem montadas. Diferentemente dos jogos de outros fabricantes, em que todas as peças eram de plástico e vinham prontas, neste tudo era de papel e portanto seu custo de produção, mais barato! Essa é uma maneira de fazer com que o time comece a pensar diferente antes do dia do encontro - é um jeto de já ir exercitando o outro lado do cérebro!

3) outro exercício, este para ser realizado no workhop: faça tudo ao contrário! É sim, funciona! Ex: seu problema é baixar custos, baratear a matéria-prima. E se fosse tudo diferente? E se o seu problema fosse precisar fazer tudo mais caro e melhor? Como você faria? Faça este exercício e você vai ver que no meio da "viagem", surgem idéias que despertam seu cérebro para aquilo que você precisa! Pensando ainda no exemplo acima: se fosse fazer um jogo mais caro faria tudo em amestista (não riam, nesta fase não pode haver julgamento!). Assim, o fato de você pensar em trocar de material para um muito mais caro, te leva a considerar a possibilidade de utilizar materiais alternativos, mais baratos, e assim ir em busca da inovação que precisa!

Claro que estes exemplos que usei tão tolos, mas que os exercícios funcionam, isso eu garanto!


Por último, queria contar mais uma curiosidade sobre a Disney: vocês sabiam que todos os executivos da Disney são obrigados a fazer uma "conexão com consumidores" de tempos em tempos? Do que se trata? Já explico: cada funcionário da alta gerência para cima tem que se vestir com a fantasia de algum personagem e passear pelo parque. Isso se repete com bastante frequência! É que a Disney acredita que só quando seus executivos estiverem vestidos de Mickey, Pateta, Donald, Buzz Lightyear, ou qualquer outro personagem inesquecivel, quando eles virem o rosto das crianças a medida que se aproximam, quando ouvem elas conversando, acreditando naquele momento, só aí é que um executivo passa a entender o que significa aquela marca, o que representa o parque, a importância de não se descuidar de nenhum aspecto do entretenimento!




É isso, gente!
Conhece a Disney? Já foi aos parques? Não? Então vá! Sim? Então vá de novo!

E amanhã tem mais...

2010-01-06

Grátis!

Fonte: Predictably Irrational, Dan Ariely




Volto a abordar as experiências conduzidas por este autor neste livro curiosíssimo sobre o comportamento humano. Ainda estou no capítulo que fala sobre o quanto a gente ama tudo o que é grátis! E é verdade mesmo! Adoro os brindes, os mimos, os test drives, enfim tudo que me faça sentir presenteada. Agora vejam que interessante o relato abaixo:

O que você escolheria? Ganhar um vale presente no valor de 10 dólares ou pagar 7 dólares por um vale presente de 20 dólares? Se você, assim como eu, ficou com a primeira opção, saiba que estamos escolhendo como a maioria, mesmo sabendo que o "lucro" seria maior no vale de 20 dólares ("lucro" de 13 dólares). Agora, quando a oferta foi modificada, os resultados também se alteraram: um vale presente de 10 dólares a um custo de 1 dólar ou um vale de 20 dólares a um custo de US$8. Curiosamente, neste caso a maioria migrou para a segunda opção. Ou seja, sem a presença do "gratuito" para ofuscar nossa racionalidade, fazemos as contas e escolhemos aquela alternativa mais vantajosa - no caso, a de se gastar US$8 para obter o vale de US$ 20! Só que e acho que tem mais coisa aí: pelo menos pra mim, a oferta "grátis" é entendida mesmo como um ato de fé e boa vontade do fabricante! Quase como se não houvesse nenhum interesse escondido, apenas generosidade! Já quando tenho que pagar alguma coisa para obter uma vantagem (às vezes até maior do que a oferecida gratuitamente) não me sinto tão entusiasmada. Parece que tem alguma "pegadinha" ou então que o fabricante é incapaz de dar alguma coisa. Sei lá, claro que não é racional, mas aquilo que é "grátis" agrada mais. Vai entender...
Outro experimento:

Há alguns anos a Amazon.com (famosa livraria virtual) começou a oferecer o frete de seus livros gratuitamente para aquelas pessoas que gastassem mais de US$ 30. Assim, se você comprasse apenas um livro de US$ 16, teria que pagar o frete de US$3,95, mas se comprasse mais um e atingisse o valor de US$30, aí seus livros seriam entregues em sua casa sem custo algum. Sabem o que aconteceu? As vendas subiram drasticamente! Para não ter que pagar os US$ 3,95 os consumidores compravam um livro a mais, mesmo que esta não fosse sua intenção inicial. Claro que o pessoal da Amazon.com vibrou com o resultado desta promoção! No entanto, havia um lugar em que a oferta de frete grátis não estava surtindo efeito: a França! Será que os franceses são mais racionais que o resto do mundo? Duvido...O que aconteceu foi que a Amazon.com da França estava oferecendo uma promoção diferente a seus consumidores: ao comprar apenas um livro, o frete seria o mesmo que aquele sempre praticado, mas se a compra ultrapassasse os US$ 30, o frete cairia para 20 centavos!
Não seria de graça como acontecia nos Estados Unidos, mas seria praticamente sem custo - apenas 20 centavos! Pois bem, estes 20 centavos não foram tentadores o suficiente para fazer com que os consumidores franceses cedessem e comprassem um segundo livro como os americanos! Pagar US$ 3,95 ou 20 centavos teve o mesmo efeito na cabeça dos franceses - o frete seria pago de qualquer maneira. No entanto, quando a Amazon.com da França alinhou sua promoção com aquela que vinha sendo feita em outros países (frete grátis para compras acima de US$ 30), suas vendas dispararam, provando que os franceses são tão emocionais como o resto do mundo!

É isso!
E amanhã tem mais...gratuitamente!

2010-01-05

Quem é o adulto, quem é a criança?

Fonte: CONSUMIDO, de Benjamin R. Barber


- Eu quero um vermelho bem forte, acho que um Vinho ou Vermelho Chic.
- Eu pefiro um cor de pele, tipo Areia ou um bem branquinho como o Renda.

Eu e minha filha no cabeleireiro conversando com a manicure. Adivinhe qual fala é a minha, qual é a da Helena, minha filha linda de 11 anos? Isso mesmo, eu pedi o esmalte clarinho e a Helena ficou com o Vinho. Saimos do salão felizes, cada uma admirando suas unhas esmaltadas e brilhantes - as minhas bem discretas, as da Helena pareciam as unhas da mulher do Conde Drácula.

Comecei este post com este episódio corriqueiro (aconteceu ontem) para falar mais uma vez da precocidade das crianças e da infantilização dos adultos.

Tenho lido muito sobre o assunto, mas acho que o material mais completo, fascinante (e meio exagerado também) vem de Benjamin Barber e seu livro Consumido (este autor já escreveu um livro chamado Jihad x McMundo, que nunca li mas que está na minha lista. Deve ser, no mínimo, curioso)

Neste livro o autor defende algumas idéias bastante interessantes, a começar pelo interesse ds indústrias e marketeiros em estimular a infantilização dos adultos, ou a síndrome de Peter Pan que assola grande parte da população mundial: "as culturas adultas são plurais e distintas, mas a cultura jovem é bastante universal". Assim, é muito mais fácil padronizar produtos e marcas e harmonizar particularidades locais se o público alvo for jovem e imaturo. É só ver o que fazem Nike, Apple, Sony, Disney e todas as outras marcas que a gente adora e que são capitaneadas por geniais homens e mulheres de marketing.


Como já falamos aqui outro dia, crianças não conseguem postergar a satisfação de seus desejos (e isso é muito, muito bom para os negócios). Assim, evitar que o adulto cresça, torna-lo um "homem criança", um consumidor jovem (para sempre) é de interesse do mercado: "A criança quer porque quer, quando quer, sem considerar as necessidades dos outros, e o homem-criança não foge desse padrão". Da mesma maneira, crianças são convertidas em consumidores prematuramente. "Para o consumo prevalecer é preciso tornar as crianças consumidores e tornar os consumidores crianças".


Outro exemplo que conhecemos bem aqui no Brasil está dentro da indústria da moda: a mãe quer parecer que tem 15 anos enquanto a filha usa acessórios, roupas e maquiagem de uma mulher de mais de 30. Na minha opinião, um horror!


No cinema, o impacto da infantilização é ainda mais acentuado: Hollywood está cada vez mais dominada por blockbusters destinados ao "mercado adolescente" esticado - aquele que compreende pessoas de 13 a 30 anos.

Veja a lista dos filmes de maior bilheteria do ano de 2009, nos Estados Unidos:

1) Transformers 2
2) Avatar
3) Harry Potter e o Enigma do Príncipe
4) Up - Altas Aventuras (animação dos estúdios Disney Pixar)
5) Lua Nova (a saga Crepúsculo)
6) Se beber não case
7) Star Trek
9)Monstros x Aliens
10) XMen: Wolverine
11) Uma Noite no Museu 2

Olhando os títulos acima, a gente vê que o autor do livro a que me refiro tem uma certa razão: são todos enredos juvenis - não há um filme adulto! No entanto, para ser honesta, preciso dizer que assisti a todos estes filmes e, apesar de reconhecer que há uma diferença enorme de qualidade entre eles, devo confessar que ADOREI quase todos! Ai, meu Deus, sou uma adulta que se recusa a crescer! Acho que sou mesmo! Brincadeiras a parte, é curioso e, de certa maneira, assustador, pensar em como somos manipulados (e nossos filhos tambem) e que aquela imagem de que nós humanos nos comportamos como rebanhos de gado não é no fim tão distante assim da realidade...

Agora, dê uma olhada em alguns dos títulos de filmes que serão lançados em 2010. Não vejo a hora...

1) Alice no País das Maravilhas
2) Eclipse (da saga Crepúsculo)
3) Alvin e os Esquilos 2
4) Harry Potter e as Relíquias da Morte (parte 1)
5) Homem de Ferro 2
6) Sherlock Holmes
7) Shrek 4
8) Toy Story 3
9) Sex and the City 2
10) Gulliver
11) Robin Hood

Última: sabe por que a indústria cinematográfica faz tantas continuações de filmes (Shrek 1, Shrek , Shrek 3, Shrek 4)? Porque, como somos adultos infantilizados, a gente se comporta como criança que pede as pais que contem sempre a mesma história: "De novo, conta de novo? Por favor...."


É isso.
E amanhã tem mais...