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2010-06-08

A cara de pau do Itaú!



Vocês já viram o comercial do Itaú em que os funcionários deste banco cantam a música Imagine de John Lennon? Não sei quanto a vocês, mas eu tenho um ódio desta propaganda!!! Nada mais inadequado, impróprio, nada a ver! E o mais curioso, é que eles deixaram de fora os seguintes versos da música:

Imagine no possessions

I wonder if you can
No need for greed or hunger 
A brotherhood of man
Imagine all the people
Sharing all the world

Um mundo sem posses, sem ganância...uma fraternidade! É mesmo a cara do Itaú né? Afinal,vocês conhecem algum banco ganancioso? Algum banco que valorize a propriedade? Claro que não...



Prá mim foi um tiro n'água! Erro de marketing!
Com tanta música por aí, o Itaú escolheu logo aquela que é um hino anti capitalista - sharing all the world...


2010-04-06

Todo mundo adora uma novidade - será?

Fonte: The New York Times




Hoje vou falar sobre o novo mega lançamento da Apple -  o Ipad - e a consequente enxurrada de novos aplicativos e softwares que o acompanham.

Por enquanto, já há uma nova versão do software de desenhos Brushes, um jogo de tiro chamado Nova, e o IBooks, que conecta o aparelho à livraria da marca. A princípio, a tendência é a gente achar que haverá uma migração em massa aos novos produtos e aplicativos, mas o que acontecerá na realidade é bem diferente: os novos programas só farão as pessoas se sentirem mais sobrecarregadas do que se sentem!

Claro que não me refiro aos livros eletrônicos - estes, acredito que tenham vindo para ficar e não vejo a hora de comprar um aparelho que me permita ler sem a necessidade de fazer espaço em casa para mais um livro.

Mas, voltando ao assunto, a sensação é conhecida: sempre que compro um celular ou um novo aparelho eletrônico, sou acometida pelo sentimento de culpa por não ter lido o manual e portanto não estar utilizando o produto em sua melhor forma. Celulares costumam ter recursos que não conheço e que não utilizo - até que uma alma caridosa me ensine e eu perceba como a vida poderia ter sido mais fácil até ali...

O mesmo acontece agora com o Ipad - os consumidores terão que aprender a usá-lo e a seus recursos, caso contrário serão sufocados pela idéia de ter pago caro por mais uma bugiganga e não estar aproveitando tudo o que ela oferece. É mais ou menos como a pessoa que assina uma TV a cabo com duzentos canais mas só assiste os mesmos três todos os dias - esta pessoa paga, não usa e não sabe o que está perdendo!

Querem ver um exemplo? A americana Caroline Cua, 27 anos, tem um Iphone em que baixou apenas cinco programas - ela está dentro da média de proprietários do aparelho, que utilizam de 5 a 10 aplicativos. Caroline está feliz com os que tem, já que são exatamente o que ela precisa. Quantos aplicativos de Iphones há no mercado? 140 mil...(há até programas que preveem o sobrevoo de asteróides!?!). Daí vem aquela sensação conhecida de todos nós (eu pelo menos conheço): a sensação de que estou perdendo algo que eu não sabia que precisava.

Antes de terminar, queria dizer que pesquisei (eu AMO a Internet) e trouxe para vocês uma relação dos aplicativos mais estranhos para Iphone:

1) IFart: aplicativo que imita o som de gases intestinais. Há todo o tipo de ruído - tudo muito fino, elegante e de bom gosto. Ideal para criar situações constrangedoras.

2) Baby Shaker (inacreditável): a Apple sofreu duras críticas por este lançamento MICO - a empresa chegou a se desculpar publicamente pelo mau gosto. A brincadeira consistia em chacoalhar o aparelho cada vez que o bebê do aplicativo chorava. Para silenciá-lo, era preciso sacudir fortemente o equipamento, até que a imagem do bebê aparecesse com dois X na frente dos olhos, como se estivesse morto. Lindo, né? Pergunta: quem compra isso???

3) I Beer: simula um copo de cerveja e vem com um "acelerômetro" de ingestão de bebida. Conforme você movimenta o aparelho em direção à sua boca, ele mostra a quantidade de bebida que foi "ingerida" e o quanto o bebedor é rápido de gargalo. Muito, muito útil, não?

4)Influenza: o aplicativo fornece alertas e boletins sobre a gripe suína, enviados diretamente de um centro de controle de doenças que atualiza os dados. Francamente...

5) Belly Button (umbigo): várias imagens de umbigos, você escolhe uma e também uma voz correspondente. Sim, o umbigo fala e ri.

6) Pimple Popper (espremedor de espinhas): você instala um aplicativo que traz "espinhas" para você espremer...um nojo, um nojo, um asco!

7) Hang Time: para medir quanto tempo seu aparelho leva para cair no chão. Sim, você é estimulado a jogar o telefone para o alto enquanto o aplicativo cronometra o tempo que ele está no ar. Não dá para viver sem esta informação, né?

É isso, gente.
E amanhã tem mais...





2010-03-19

No último post da semana e também o último da série "Pró Logo", o Consumidor



"O consumidor é a pessoa para quem todos os especialistas de uma marca direcionam suas iniciativas. Mas também é um elemento imprevisível, capaz de entusiasmo, forte rejeição ou indiferença" - é assim que os autores Michel Chevalier e Gérald Mazzalovo definem o indivíduo comprador.

Gosto da definição, especialmente da parte que diz que consumidores são imprevisíveis - gosto porque é isso que traz encantamento à profissão de marketeiro. A gente nunca sabe como a massa consumidora vai reagir. Em certo sentido, por mais que a gente se cerque de números, testes, estudos, é sempre uma aposta!

Às vezes, sem ninguém entender bem porque, alguma coisa vira um sucesso (se bem que cada vez menos isso acontece - há sempre uma campanha de marketing orquestrada para garantir o êxito de uma determinada marca, mesmo quando tudo parece ao acaso), já em outras ocasiões a gente vê marcas se esforçando tanto para agradar que aí a mágica não acontece mesmo...

Mas quem está por trás dos resultados favoráveis ou não, quem dá a última palavra, são sempre os consumidores - eles têm o poder (alguns mais outros menos)!

Vejamos o caso da Coca-Cola que, em 1985, decidiu criar uma nova fórmula para seu principal produto. A companhia havia observado em testes que os consumidores preferiam a Pespi à Coca. Assim, a empresa desenvolveu uma nova "receita" para a bebida mais famosa do mundo e começou a substituir seus refrigerantes nas prateleiras dos supermercados pela New Coke (cá entre nós é muita audácia, não é?). Inúmeros testes e pesquisas com consumidores provavam a excelência da nova fórmula e garantiam sucesso da iniciativa - eu não queria ser a diretora de marketing nem a gerente de pesquisa da marca nesta época!

Só que aí vem o imprevisível: os consumidores são os donos do jogo e podem impor sua vontade!!

Continuando, este episódio resultou no maior fracasso da Coca-Cola em um século de existência. As emoções dos consumidores atingiram proporções inimagináveis. A empresa recebeu milhares de cartas indignadas clamando o orgulho patriótico e afirmando que a identidade americana estava ameaçada (a gente sabe que os americanos são um pouco exagerados...). Um grande volume de New Coke foi despejado em frente à sede da companhia por consumidores revoltados e desaforados! O furor e o clamor das ruas foi de tal ordem que, em menos de três meses depois do lançamento do fiasco New Coke a companhia desistiu da estratégia e tudo voltou a ser como era antes - nome antigo (apenas Coke) e fórmula tradicional. A Coca-Cola teve pelo menos a satisfação de descobrir uma imagem de marca com a qual nem o marketeiro mais megalomaníaco poderia sonhar: a marca era uma instituçião americana e, portanto intocável! Quem não quer isso para a sua marca?

Vamos nos lembrar também de outro caso envolvendo o poder do consumidor, que são os episódios ocorridos com a Gap e a Nike: ambas as empresas apresentavam péssimas condições de trabalho e mão de obra (bem) infantil (em fábricas fora dos Estados Unidos, claro). Ativistas organizaram protestos e boicotes e obrigaram estas marcas a rever sua política de contratação de serviços. Claro que nada disso aconteceu pela repentina consciência da Nike e da Gap: foi apenas resultado de pressão dos compradores e pavor de que o escândalo respingasse na imagem das marcas (o que de certa maneira acabou acontecendo, mas sem grandes consequências). O mesmo vale para organizações que estão adotando um discurso socialmente responsável, um compromisso com causas humanitárias, embalagens recicláveis...tudo isso é influência dos consumidores!

É isso, gente!
E segunda-feira tem mais!

2010-03-18

Hoje o tema, relacionado ainda às marcas, é: será que provocação vende?


Antes de entrar no tema, aviso que no final deste post há alguns exemplos de "provoking ads" para vocês avaliarem.


Acho que todo mundo gosta de uma propaganda inspirada, algo polêmico - mesmo que muitas vezes o filme fique no limite do mau gosto (outras vezes são totalmente ofensivas mesmo). Mas será que isso é bom para as marcas? À parte do benefício imediato - todo mundo comentando, alto grau de lembrança - como este tipo de campanha afeta a imagem de uma marca no longo prazo?


Um dos grandes problemas desta escolha é que ela contém seu próprio fim - em outras palavras, quando todo mundo que ser provocador, para que a provocação se mantenha eficaz ela precisa se tornar excessiva.


Quem não se lembra da obsessão da marca Benetton em produzir, além de roupas coloridas, propagandas altamente impactantes (umas bem inspiradas, como as que denunciavam o racismo e outras tantas com o intuito puramente de chocar, como a do rapaz, soropositivo, com as feições similares a de Jesus Cristo).


Será que esta violência gráfica resultou em aumento de vendas? De acordo com a própria Benetton, este tipo de estratégia faz com que a circulação nas lojas aumente, no entanto,mais gente no ponto de venda não se traduz necessariamente em compras. Na realidade, recentemente a Associação dos Franqueados Alemães da Benetton processou o dono da marca, Luciano Benetton, por considerar que aquelas campanhas afetaram suas vendas e lhes causaram prejuízos.

Claro que uma campanha dessas não passa despercebida, e os números comprovam - a imagem do padre e da freira se beijando (aliás uma das que mais gosto) teve um reconhecimento de marca 48% maior do que se espera obter em um anúncio padrão. No entanto, quando perguntados sobre sua intenção de comprar um artigo Benetton, mais de um terço dos consumidores afirmam se divertir muito com a foto, mas confessam que ela não os estimula a comprar o produto (de fato nem se vê o produto - toda a campanha soa mais como um manifesto da marca do que como uma publicidade para tornar suas roupas e acessórios irresistíveis).

Mesmo se considerarmos a natureza "política" da comunicação da Benetton, é possível dizer que, ao mesmo tempo que ela encontra admiradores, e seu impacto eleva os índices de recall às alturas, é fato que a estratégia também se depara, na mesma proporção, com uma forte rejeição.

E vale lembrar o ponto que defendemos no início do post - a polêmica, para permanecer polêmica, tem que subir sempre um degrau, senão a gente se acostuma e passa a ver o anúncio como banal.

Este fenômeno aconeceu com a marca sobre a qual estamos falando: em 1989 temos uma negra amamentando um bebê branco (super bonita!), em 1991 sai a foto do beijo dos religiosos católicos (já uma escalada na polêmica), em 92 é a vez do anúncio do rapaz com HIV morrendo em sua cama, em 1993 temos esta aí em cima, com o "HIV positive" (com a evidente intenção de chocar), em 1994 a vilolência gráfica atinge outro nível, com a imagem do uniforme ensanguentado do soldado bósnio, e a última chocante de que tenho notícia vem de 2003 e está aí do lado direito.

De lá para cá, o que se vê são campanhas muito coloridas e bem mais tranquilas - ao que tudo indica a Benetton resolveu abandonar sua filisofia do "falem mal mas falem de mim". A marca ainda preserva um tom de manifesto, mas bem mais brando. Vejam só:





De acordo com os autores do livro Pró-Logo (a inspiração para os posts desta semana), estas práticas de "provoking ads" tendem a confinar as marcas em um círculo vicioso e elas necessariamente perdem a longo prazo. O sistema só funciona se a provocação aumentar constantemente. Assim, a provocação na propaganda dá certo uma ou duas vezes, mas deixa de dar resultados quando a elevação do tom se torna impossível.

Já falamos aqui sobre a importância da consistência para a construção da imagem de marca - se sua única aposta são as polêmicas, depois que todos os tabus forem transgredidos o que restará?

É isso gente.
E amanhã tem mais...

Deixo aqui alguns anúncios polêmicos que encontrei. Não censurei nada!



2010-03-17

Continuando com as marcas. Hoje, a importância de um nome!


Continuando com o tema - Pró Logo, marcas como fator de progresso - vou falar hoje sobre aquilo que vem de imediato à mente quando pensamos em uma marca: seu nome.


O assunto gera tanta angústia a fabricantes, empresários e marketeiros que já existem centenas de empresas e sites que podem te ajudar a criar um nome adequado a seu produto ou serviço.

Claro que há também exemplos do que não fazer: que tal um restaurante chamado Apetitoteca? Não desperta o apetite em ninguém, né?  Outra que deu um tiro n'água foi a Umbro: sua equipe de marketing não pesquisou direito quando lançou o tênis Zyklon. Em agosto de 2002, algumas pessoas denunciaram a marca pela sua “insensibilidade”. Esse é o nome do gás letal utilizado nos campos nazistas na 2° guerra mundial. E isso não é muito bom para os negócios....Já a empresa de cosméticos Estee Lauder estava prestes a exportar a linha de maquiagem Country Mist, quando a equipe alemã observou que na língua deles, “mist” (garoa, vapor d`água) era uma gíria para estrume. Na Alemanha, o produto virou Country Moist (úmido).

O nome é o primeiro sinal de reconhecimento de uma marca. Ele nunca é neutro e sua escolha deve envolver muito estudo e pesquisa. Até grandes marcas tiveram que rever seus nomes no curso de sua história. Quando a marca levava o nome de seu fundador, em algum momento o primeiro nome foi abandonado - Ford, Johnson, Philips. Outra alteração refere-se à redução do nome a uma sigla: a International Business Machines Corporation virou a potência IBM e a alemã Bayerische Motoren Werke é a atual BMW.

E há ainda os casos em que a empresa se rende e decide assumir seu nome como a versão que se escuta nas ruas: aqui no Brasil temos o Banco Brasileiro de Descontos que virou o Bradesco. Nos Estados Unidos, a Gap Generation apagou a palavra "generation" de suas etiquetas e se transformou na super conhecida GAP (mais informal, mais simpático, mais de acordo com a imagem da marca). A viciante Coca-Cola, que adoro e me esforço diariamente para não tomar, já em 1941 adotou a abreviação "Coke" -só não mudou definitivamente em função da gíria inglesa que significa cocaína.

Uma alternativa para a criação de nomes é lançar mão de neologismos, ou seja, inventar nomes que remetam à função principal do produto. Querem exemplos: a marca de geladeiras Frigidaire e os lenços de papel Kleenex. Estes são nomes repletos de significados e facilmente lembrados.

Agora, o que dizer daqueles que têm coragem de fazer tudo diferente, ir ao extremo oposto e criar um nome para sua marca que seja totalmente distante do produto fabricado: sim, sempre eles, os reis da inovação, do risco e do design...a Apple. Na época em que foi fundada, empresas do ramo tinham nomes formados por siglas - a IBM mais uma vez.

E quando a intenção é induzir a imaginar alguma coisa sobre a marca (mesmo que não seja verdade)? É o caso dos deliciosos e calóricos Häagen Dazs (nome difícil de falar e mais ainda de escrever). O nome remete à Escandinávia, mas a fábrica foi fundada no Bronx, New York. Mesmo com a realidade sendo menos romântica, são os melhores sorvetes que já tomei!

Resumindo, o nome de uma marca é um ativo vital. Ele tem que ser fácil de lembrar e deve conter um componente emocional ou um elemento racional. Ainda assim, não há garantias. Existem diversas marcas que fogem a esta regra e tem seu nome na boca do povo.

É isso, gente.
E amanhã tem mais.